Compassivo sem ser complacente

Os melhores coaches que conheci eram compassivos (Tem compaixão, pois colocam-se no lugar do outro) sem serem complacentes (concordar com tudo que o outro diz, confortar o cliente). Deixam o cliente sentir tudo o que está sentindo. Se estiverem abalados não podemos ceder à tentação de confortá-los, pois precisamos ser compassivos sem sermos complacentes.

O pré-requisito para se ter bons resultados nessa profissão é amar as pessoas. Amar a humanidade que existe em cada um de nós. Sentir pelo outro humano uma profunda identificação e uma preocupação sincera com eles, pois são portadores do que há de mais nobre e vil em nossa espécie. Não devo recusar em mim e no outro nenhum afeto. Não dá para conviver bem com uma característica que gosto e recusar outra que não gosto, como se não fosse minha. Os melhores coaches que conheci amavam o próximo simplesmente porque ele é nosso colega de evolução.

Não podemos dar conselhos porque além de pretensioso seria extremamente desrespeitoso com o progresso do cliente, mas a forma como penso, o modo como vejo a vida está de certa forma incutido nas minhas perguntas. Achamos que podemos ajudar os clientes, mas são eles que nos fazem refletir sobre nossas questões. Há um devir, uma transformação, do cliente no coach. Por isso, quando estou na frente do outro, encontro-me frente a frente comigo mesmo, com tudo que de humano compartilhamos. Ao gostar de mim mesmo com todas as minhas falhas eu estendo esse gostar ao outro e então cresço com ele. Quanto mais amoroso estou comigo, mais eu estarei com o outro.

O papel do outro na nossa vida é nos dar a oportunidade de descobrirmos quem somos. Cada comportamento que eu tenho com alguém é a forma que tenho de demonstrar quem sou. Comportamentos nada mais são do que o lado visível de nossos valores. Ter a compaixão sem a complacência como um valor é a melhor forma de auxiliar a trajetória do cliente.

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